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O modo override da F1 é a liberação extra de bateria a que um carro tem direito quando anda colado em outro. Chamado no regulamento de Manual Override Mode, ele é, na prática, uma regra de unidade de potência vestida de regra de ultrapassagem. A FIA sobe o teto de potência elétrica do carro de trás em alta velocidade, deixa que ele recupere um pouco mais de energia e permite que o piloto escolha em que ponto da volta vai gastar tudo isso. O regulamento agora chama o sistema só de Overtake. As transmissões falam em modo Overtake.
Resposta rápida
O Overtake dá ao piloto que persegue um limite maior de potência da bateria, não uma asa móvel. Chegue a menos de um segundo na linha de detecção e o carro de trás pode usar até 350 kW acima de 290 km/h, velocidade em que um carro sem o recurso já está perdendo potência. Ele também pode recuperar até 0,5 MJ a mais de energia naquela volta.
O que é, exatamente, o modo override da F1 em 2026?
O artigo B7.2 do Regulamento Esportivo da Fórmula 1 de 2026 (Seção B, versão 08, de 5 de agosto de 2026) descreve o sistema numa linguagem seca. Cada circuito tem uma Linha de Detecção, uma Linha de Ativação e um valor chamado Diferença de Detecção, os três informados às equipes com pelo menos quatro semanas de antecedência. Cruzou a Linha de Detecção dentro dessa diferença atrás de outro carro, o Overtake é ligado para você na Linha de Ativação. Passou pela Linha de Detecção seguinte fora da diferença, ele desliga.
A diferença foi de um segundo a temporada inteira. Mas o regulamento não crava esse número. A FIA define o valor em cada etapa, o que permite apertar a regra num circuito onde ultrapassar ficou fácil demais sem precisar reabrir o regulamento. A Linha de Detecção é uma faixa amarela contínua pintada de lado a lado da pista, com placa em pelo menos um dos lados, então dá para ver o ponto de disparo numa câmera de TV se você souber o que procurar.
Com o sistema armado, o piloto ganha duas coisas. Até 0,5 MJ de recarga extra naquela volta, pelo artigo C5.2.10iii. E um teto de potência completamente diferente.
Os números, direto do regulamento técnico
O ERS-K de 2026 é limitado a 350 kW. O artigo C5.2.8 do Regulamento Técnico de 2026 limita quanto disso pode ser usado de acordo com a velocidade do carro, com duas fórmulas diferentes. Sem Overtake, a potência liberada é 1800 menos cinco vezes a velocidade em km/h, e chega a zero em 345 km/h. Com Overtake, a conta é 7100 menos vinte vezes a velocidade, e o zero só vem em 355 km/h. Quando você coloca as duas curvas lado a lado, a regra deixa de ser abstrata.
| Velocidade | Potência sem Overtake | Potência com Overtake | Vantagem |
|---|---|---|---|
| 250 km/h | 350 kW | 350 kW | 0 kW |
| 290 km/h | 350 kW | 350 kW | 0 kW |
| 300 km/h | 300 kW | 350 kW | 50 kW |
| 320 km/h | 200 kW | 350 kW | 150 kW |
| 337 km/h | 115 kW | 350 kW | 235 kW |
| 340 km/h | 100 kW | 300 kW | 200 kW |
| 345 km/h | 0 kW | 200 kW | 200 kW |
| 350 km/h | 0 kW | 100 kW | 100 kW |
| 355 km/h | 0 kW | 0 kW | 0 kW |
Abaixo de 290 km/h, o Overtake não vale absolutamente nada. Os dois carros já têm os 350 kW completos. A diferença só aparece acima disso, chega ao pico de uns 235 kW perto de 337 km/h e fica na casa dos 200 kW na faixa dos 340 km/h, enquanto o carro que se defende está com potência elétrica literalmente zerada. Esse dado sozinho explica boa parte do que você viu nesta temporada.
Como funciona o botão de ultrapassagem na F1 2026
Não existe botão de override. Isso confunde muita gente, porque a terminologia da F1 para 2026 inclui um botão de Boost e os narradores usam as duas palavras como se fossem a mesma coisa.
A divisão é simples depois que você entende. O Boost é um comando do próprio piloto, um botão no volante que despeja a energia armazenada quando e onde ele quiser, para atacar ou para defender. O Overtake não é comando nenhum. A central eletrônica padrão arma o sistema quando a condição de proximidade é cumprida e desarma quando não é, e o piloto simplesmente encontra um teto mais alto esperando por ele na próxima vez que pisar tudo. O guia da McLaren sobre a nova terminologia descreve o Overtake como automático e o Boost como o botão que o piloto aperta.
Na prática, a sequência é esta. O piloto sai da última curva sabendo pelo painel que o recurso está ativo e decide como gastar. Uma puxada longa pela reta inteira, ou uma descarga curta na saída da curva para encostar antes da freada e mergulhar por dentro.
O modo override substituiu o DRS?
No regulamento, sim. No sentido que a maioria das pessoas imagina, não. O DRS fez a última corrida no fim de 2025 e não aparece no regulamento de 2026. O Overtake ocupou o lugar dele como ajuda por proximidade. Mas as asas móveis não sumiram, só mudaram de função.
Todo carro de 2026 usa aerodinâmica ativa com duas posições, chamadas oficialmente de Straight Mode e Corner Mode (Modo Reta e Modo Curva). No Modo Reta os flaps dianteiros e traseiros abrem para reduzir o arrasto. No Modo Curva eles fecham e o carro recupera a pressão aerodinâmica. O que separa isso do DRS é que não se trata de prêmio por estar perto de alguém. Todo mundo usa, nas zonas demarcadas, a corrida inteira. O guia para iniciantes do regulamento de 2026 do Formula1.com resume assim: agora todo mundo pode fazer isso, o tempo todo. Se quiser o lado das asas em detalhe, nosso texto sobre como funciona a aerodinâmica ativa nos carros de 2026 explica as zonas e a lógica de acionamento.

Por que as ultrapassagens de 2026 não parecem as do DRS
O número de ultrapassagens subiu muito, e varia de forma absurda de uma corrida para outra. Contando só as manobras na pista depois da primeira volta, o levantamento do MotorBiscuit para 2026 dá média de 61 por GP, com 101 na China, 88 em Miami, 85 no Japão e 78 em Monza. Pablo Elizalde, da Motor Sport Magazine, fez outra contagem em abril e chegou a um aumento de 279% no Japão em relação a 2025: 106 ultrapassagens contra 28.
Aí veio Madri, em 13 de setembro de 2026, o primeiro GP no Madring. Quatro ultrapassagens na pista depois da primeira volta. Uma delas foi Liam Lawson espremendo Franco Colapinto. Verstappen, que terminou em segundo, disse depois ao Formula1.com que é um circuito em que é muito difícil passar e que, se você se posiciona no meio, não há como encontrar espaço. Uma pista sem reta longa e rápida não dá nada para o Overtake trabalhar, porque a vantagem só existe acima de 290 km/h.
Monza teve o problema oposto. Verstappen chegou em terceiro lá em 6 de setembro e disse que a Red Bull simplesmente não tinha como acompanhar a entrega de energia dos carros com motor Mercedes, que o Overtake era forte demais para ele se defender, mesmo com pneus novos, e que os rivais passavam por ele como se ele fosse uma tartaruga. Fernando Alonso, citado pelo RaceFans quatro dias depois, contou que fez duas ou três ultrapassagens que não queria fazer em Monza. Ultrapassagem que o piloto não escolheu fazer é uma coisa estranha de comemorar.
O que o muro dos boxes realmente administra durante a corrida
Como o Overtake é uma regra de energia, o trabalho interessante acontece muito antes de o carro chegar a um segundo de alguém. Metade da potência do carro de 2026 é elétrica, e ela precisa ser recuperada em algum lugar. Num circuito em que o piloto passa cerca de 80% da volta com o pé no fundo, quase não há onde recarregar a não ser no próprio acelerador. Daí vem o super clipping: o MGU-K tira torque enquanto o piloto ainda está de pé embaixo, e o carro perde velocidade de forma visível bem antes da placa de freada.
Para o GP da Itália, a FIA cortou o limite de recarga para cinco megajoules por volta, o mais baixo da temporada, justamente para evitar que isso acontecesse em todo lugar. Oscar Piastri explicou a troca ao Autosport em 3 de setembro de 2026: se o limite de recarga fosse maior, os carros estariam em super clipping em todo canto e provavelmente perdendo 30 ou 40 km/h no fim de cada reta. As velocidades máximas em Monza sem vácuo acabaram entre as mais baixas vistas ali em três décadas. Aprofundamos os mapas de uso da bateria no texto sobre por que os carros de 2026 perdem potência nas retas.

Para uma equipe nova, a parte de energia tem sido a mais difícil da subida, e isso aparece mais no ritmo de corrida do que na classificação. Avaliamos esse ponto à parte no nosso balanço da primeira temporada da Cadillac na F1.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura o modo override na F1?
Não há cronômetro. Pelo artigo B7.2.3, o Overtake liga na Linha de Ativação e continua ligado até você cruzar a Linha de Detecção a mais do que a diferença definida atrás de alguém, então na prática ele dura uma volta inteira. O que limita é a energia, não os segundos. Os 0,5 MJ extras e o teto mais alto só fazem efeito acima de 290 km/h, o que na maioria das pistas significa alguns segundos por reta.
Modo override ou DRS: qual é melhor?
O DRS era mais previsível e mais artificial: abre a asa na zona, ganha mais ou menos o mesmo em toda volta, completa a ultrapassagem. O Overtake depende da sua velocidade final, do seu motor e de quanta energia você guardou, então o mesmo segundo de diferença vale muito em Monza e nada em Madri. Ele premia a melhor unidade de potência, não o carro que está mais perto.
O piloto pode usar o Overtake para se defender?
Não contra o carro que vem atrás. O Overtake só é armado quando você está dentro da diferença de detecção atrás de outro carro, então quem lidera não tem acesso a ele. A resposta de quem defende é o Boost, a energia armazenada que o piloto aciona manualmente em qualquer lugar e a qualquer momento, além de tirar o pé mais cedo para guardar carga. A reclamação de Verstappen em Monza era justamente que isso não bastava.
O modo Overtake funciona na classificação?
Funciona, mas de outro jeito. O artigo B7.2.3b diz que nas sessões classificadas por tempo de volta, ou seja, treinos livres e classificação, o Overtake fica habilitado e ativo o tempo todo, sem condição de proximidade. Todo mundo tem em todas as voltas. Ele só vira prêmio por proximidade nas corridas e nas sprints. A FIA também desliga o sistema por completo em condições de pouca aderência, então um GP com chuva não tem Overtake.
Sobre este artigo: todos os números foram conferidos em 16 de setembro de 2026 com o Regulamento Esportivo da Fórmula 1 de 2026 da FIA (Seção B, versão 08, de 5 de agosto de 2026, artigo B7.2) e o Regulamento Técnico (Seção C, versão 20, de 5 de agosto de 2026, artigos C5.2.7 a C5.2.10), o guia do Formula1.com sobre as regras de 2026 e as declarações das equipes no dia da corrida em Madri, o explicativo da McLaren sobre a terminologia de 2026, a análise de energia em Monza publicada pelo Autosport em 3 de setembro de 2026, as contagens de ultrapassagens da Motor Sport Magazine e do MotorBiscuit e declarações de Verstappen e Alonso publicadas pela imprensa. A tabela de potência foi calculada a partir das fórmulas publicadas no regulamento, não tirada de comunicado de imprensa.
