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A temporada 13 da Fórmula E começa em 18 de dezembro de 2026, com rodada dupla noturna em Jeddah, e a novidade se resume a três pontos: carro novo, formato de fim de semana novo e o calendário mais longo da história da categoria. O carro é o Gen4. Ele entrega 450 kW no modo de corrida, 600 kW no Attack Mode e tem tração nas quatro rodas o tempo todo. Até 16 de setembro de 2026, ninguém tinha corrido com ele.
Resumo rápido
A temporada 13 da Fórmula E vai de 18 de dezembro de 2026, em Jeddah, a 25 de julho de 2027, em Tóquio. O Gen4 tem 600 kW no Attack Mode, 450 kW em ritmo de corrida, recupera até 700 kW nas frenagens e usa tração integral permanente. São 21 corridas em 13 cidades, e uma delas é em São Paulo, no Anhembi, em 13 de março de 2027.
O que muda na temporada 13 da Fórmula E
A temporada 12 acabou em 16 de agosto de 2026, no ExCeL de Londres, com Pascal Wehrlein conquistando o segundo título de pilotos por cinco pontos sobre Jake Dennis. A Jaguar TCS Racing levou o campeonato de equipes, a Porsche já tinha garantido o de fabricantes em Tóquio, e ali terminou o ciclo do Gen3, depois de quatro temporadas.
A troca agora é maior do que foi a passagem do Gen2 para o Gen3. O Gen4 é mais comprido, mais pesado, muito mais potente e tem dois motores no lugar de um. A FIA também dividiu a rodada dupla em dois tipos de corrida, e o calendário passou de 17 para 21 provas, com dois autódromos permanentes a mais. Quem parou de acompanhar lá por 2023 porque achava os carros lentos demais para o que custavam tem um bom motivo para voltar.
Ficha técnica do Gen4: potência, regeneração e peso
A ficha técnica do Gen4 divulgada pela Fórmula E e pela FIA informa 450 kW de potência em corrida e 600 kW no Attack Mode (804 hp, cerca de 816 cv). São 50% a mais em ritmo de corrida e 71% a mais no pico em relação ao Gen3 Evo. A velocidade máxima sobe de 320 km/h para 335 km/h, e o 0 a 200 km/h cai para 4,4 segundos, um segundo e meio mais rápido que o carro antigo.
Veja como ele fica ao lado dos carros com que vai ser comparado.
| Item | Gen3 Evo (temporada 12) | Gen4 (temporada 13) | Carro de F1 2026 | Hypercar do WEC 2026 |
|---|---|---|---|---|
| Potência em corrida | 300 kW | 450 kW | cerca de 750 kW somados | 500 kW no máximo |
| Potência de pico | 350 kW | 600 kW | cerca de 750 kW | 500 kW |
| Regeneração máxima | 600 kW | 700 kW | 350 kW (limite do MGU-K) | depende do BoP |
| Rodas motrizes | traseiras (eixo dianteiro só na classificação e no Attack Mode) | as quatro, sempre | traseiras | traseiras, com híbrido dianteiro em alguns LMH |
| Peso mínimo | 856 kg | 954 kg sem o piloto | 724 kg mais os pneus | 1.030 kg |
| Energia utilizável | 38,5 kWh | 55 kWh | combustível mais 8,5 MJ por volta | varia conforme o carro |
Os 350 kW da coluna da F1 vêm do artigo C5.2.7 do regulamento técnico da Fórmula 1 de 2026, que limita o ERS-K. Olhe de novo a linha da regeneração: um carro de Fórmula E agora recupera nas frenagens o dobro da potência elétrica que um F1 consegue liberar. É por isso que o Gen4 recupera mais de 40% da energia que gasta numa corrida. Do lado da F1, esse limite de 350 kW é justamente o que faz os carros perderem potência no fim das retas em 2026.
A bateria, da Podium Advanced Technologies, ganha 43% de capacidade e chega a 55 kWh. A Spark Racing Technologies continua fazendo o chassi. A Bridgestone assume os pneus, 295 mm na frente e 330 mm atrás, no primeiro programa da marca em monopostos desde que saiu da Fórmula 1, no fim de 2010. O ponto fraco é o peso: 954 kg sem o piloto, contra 856 kg do carro anterior.
O Gen4 da Fórmula E tem tração nas quatro rodas?
Tem, e agora ela nunca desliga. O Gen3 Evo usava um conjunto dianteiro de 50 kW que só entrava em ação na classificação, nas largadas e no Attack Mode. No Gen4, o motor da frente pode chegar a 250 kW, enquanto o de trás fica em 350 kW, e o eixo dianteiro sozinho consegue regenerar até 350 kW, contra 250 kW antes.

Dois motores, dois eixos com tração e diferenciais ativos nas duas pontas fazem dele um carro bem diferente de pilotar. Dan Ticktum, que subiu a rampa de Goodwood com o Gen4 entre 9 e 12 de julho de 2026, disse no comunicado da Fórmula E que o carro é “50% mais potente no modo de corrida” do que o atual e que, com a tração integral permanente, “se comporta como uma arma”. É o que se espera de um piloto numa ação promocional. A parte sobre tração é a mais crível, porque o que deixava as largadas da Fórmula E tão confusas no asfalto úmido de Tempelhof eram 350 kW passando por dois pneus traseiros frios.
Segundo a Fórmula E, a arrancada fica cerca de 30% à frente da de um Fórmula 1, com 0 a 100 km/h em aproximadamente 1,8 segundo. É o único número em que um monoposto elétrico supera de forma clara o carro mais rápido do automobilismo.
Dois formatos de corrida no mesmo fim de semana
O Conselho Mundial de Automobilismo da FIA aprovou as regras de 2026-27 em Macau, em 23 de junho de 2026, e as rodadas duplas agora têm duas corridas diferentes. O E-Prix clássico continua com 45 minutos, no pacote aerodinâmico de baixa pressão, oito minutos de Attack Mode e a parada obrigatória de recarga do Pit Boost. A novidade é o E-Prix Unleashed, uma corrida curta de 30 minutos, com alta pressão aerodinâmica, seis minutos de Attack Mode e sem pit stop.
O Pit Boost continua, e a energia adicionada durante a parada sobe cerca de 5%, de 3,85 kWh para 4,05 kWh. A recarga nas corridas evoluiu bastante enquanto os carros de rua ainda discutem qual plugue vai na traseira de um elétrico 2027. A classificação passa a valer pontos no campeonato pela primeira vez, até cinco para o pole que vencer todos os Duelos, e a configuração aerodinâmica de cada etapa é confirmada com 21 dias de antecedência, segundo o comunicado do Conselho Mundial da FIA.
Na nossa leitura, a corrida curta é a mais interessante. As provas de economia de energia da Fórmula E produziram algumas das melhores disputas do automobilismo e algumas das transmissões mais confusas que já foram ao ar, muitas vezes na mesma tarde. Uma corrida em que o carro anda no limite do início ao fim dá ao espectador novo algo fácil de acompanhar, sem precisar de uma aula sobre tirar o pé antes da freada.
Quando começa a temporada 13 e quando tem Fórmula E em São Paulo?
A temporada 13 abre com rodada dupla noturna no Circuito Corniche de Jeddah, em 18 e 19 de dezembro de 2026. Antes disso, as equipes têm cinco dias de pré-temporada no Circuito de Madrid Jarama-RACE, de 16 a 20 de novembro de 2026. É a primeira vez desde 2017 que os testes saem do circuito Ricardo Tormo, em Valência.

O calendário de 21 corridas passa por 13 cidades. As datas para anotar:
- Jeddah, 18 e 19 de dezembro de 2026, etapas 1 e 2, à noite
- Cidade do México em 16 de janeiro, Austin em 6 de fevereiro e Miami em 20 de fevereiro de 2027
- São Paulo, 13 de março de 2027, no Anhembi, e Sanya em 17 de abril
- Berlim, 8 e 9 de maio de 2027, e depois Mônaco, em 15 e 16 de maio
- Brands Hatch, 29 e 30 de maio de 2027, a nova casa da etapa de Londres
- Zandvoort, 18 e 19 de junho, e Jarama, em Madri, 26 e 27 de junho de 2027
- Xangai, 10 e 11 de julho, e a final em Tóquio, 24 e 25 de julho de 2027
Para quem está no Brasil, a data que importa é 13 de março de 2027. O E-Prix de São Paulo é a sexta etapa, uma corrida única no circuito em volta do Sambódromo do Anhembi, e fecha a sequência de provas nas Américas. Não abre mais o campeonato, como já aconteceu, mas chega num ponto em que a briga pelo título começa a ganhar forma. Segundo a Gazeta Esportiva, Alberto Longo, cofundador da categoria, falou em levar a era Gen4 ao Anhembi “pelo quinto ano consecutivo”. Será a primeira vez que o público brasileiro verá de perto o carro de 600 kW com tração integral.
Austin e Zandvoort são novidade, ambos autódromos permanentes, com curvas de verdade e áreas de escape de verdade, o que deve combinar com o carro de baixa pressão aerodinâmica. Londres deixa o estacionamento do ExCeL e vai para Brands Hatch. Até dezembro, dá para matar a saudade com a reta final do título de Hypercars do WEC 2026, que termina antes.
Quem estará no grid da era Gen4
Sete fabricantes estão inscritos para o Gen4: Jaguar, Porsche, Nissan, Citroën, Opel, Mahindra e Lola Yamaha, distribuídos em 12 equipes. A Nissan fornece trens de força para a Andretti num contrato de vários anos. A Stellantis transferiu a equipe de fábrica da DS para a Opel, e a parceria da DS com a Penske chegou ao fim.
A grande transferência do inverno europeu é a saída de Mitch Evans da Jaguar, depois de uma década, para liderar a nova equipe Opel GSE. O companheiro dele será Théo Pourchaire, campeão da Fórmula 2 em 2023, estreando na Fórmula E, e Sophia Flörsch será a piloto de testes. A Nissan mantém Oliver Rowland, campeão da temporada 11, e contratou Zane Maloney. Lucas di Grassi, campeão de 2016-17, se aposentou, e a era Gen4 começa sem ele no grid.
Se as corridas vão ficar melhores é outra pergunta, diferente de saber se o carro é mais rápido, e a Fórmula E já confundiu as duas coisas antes. Mas 600 kW nas quatro rodas num circuito de rua, com uma corrida curta de 30 minutos no sábado, é a proposta mais convincente que a categoria apresentou em anos. Compare com a decisão do título do WRC 2026 e dá para ver o automobilismo se dividindo entre categorias que buscam velocidade e categorias que buscam equilíbrio. A F1 foi por outro caminho em 2026, com a aerodinâmica ativa.
Perguntas frequentes
Quando começa a temporada 13 da Fórmula E?
A temporada 13 da Fórmula E começa em 18 de dezembro de 2026, com rodada dupla noturna no Circuito Corniche de Jeddah, na Arábia Saudita, com as etapas 1 e 2 em dias seguidos. Antes, há os testes de pré-temporada em Jarama, perto de Madri, de 16 a 20 de novembro de 2026. O campeonato termina em Tóquio, em 25 de julho de 2027.
Como é o calendário 2027 da Fórmula E?
Depois da abertura em Jeddah, em dezembro de 2026, o calendário da temporada 13 vai de janeiro a julho de 2027. Passa por Cidade do México, Austin, Miami, São Paulo, Sanya, Berlim, Mônaco, Brands Hatch, Zandvoort, Madri, Xangai e Tóquio: 21 corridas em 13 cidades, com sete rodadas duplas depois de Jeddah.
Quando é o E-Prix de São Paulo de 2027?
Em 13 de março de 2027, no circuito do Sambódromo do Anhembi. É a sexta etapa da temporada 13, uma corrida única, e a última da passagem da categoria pelas Américas, depois de Cidade do México, Austin e Miami.
O Gen4 da Fórmula E tem tração integral?
Tem. O Gen4 é o primeiro carro da Fórmula E com tração integral permanente. Um motor dianteiro de até 250 kW trabalha junto com um traseiro de 350 kW o tempo todo, e não apenas na classificação, nas largadas e no Attack Mode, como no Gen3 Evo. Os dois eixos também ganham diferenciais ativos.
O Gen4 é mais rápido que um Fórmula 1?
Na arrancada, sim: a Fórmula E fala em 0 a 100 km/h em cerca de 1,8 segundo, uns 30% mais rápido que um F1 atual. Na volta, não. O Gen4 chega a 600 kW, contra cerca de 750 kW de um F1 2026, pesa 954 kg sem o piloto, contra 724 kg mais os pneus, e tem velocidade máxima de 335 km/h.
Sobre este artigo: dados conferidos em 16 de setembro de 2026 com a ficha técnica do Gen4 e a explicação do formato esportivo publicadas em fiaformulae.com, o comunicado do Conselho Mundial da FIA de 23 de junho de 2026 em fia.com e o regulamento técnico da Fórmula 1 de 2026. As informações sobre a etapa de São Paulo foram conferidas em 29 de setembro de 2026 no calendário oficial e na Gazeta Esportiva. A temporada 13 ainda não tinha começado quando o texto foi escrito.
